Nossa saúde física, emocional e mental afeta diretamente nossa intenção de sermos pais de filhos saudáveis.
Precisamos nos cuidar, e maneira integral e integrada.
O mais comum de ser ver, é a mulher correndo atrás. A mulher que vai engravidar, faz toda a bateria de exames para checar se há algum impedimento sobre fertilidade, ou alguma contraindicação por problemas congênitos. Se o casal está tentando e não está conseguindo engravidar, mais uma vez a mulher vai em busca da causas, trazendo a responsabilidade muitas vezes a culpa para si. Busca diversas estratégias para aumentar as chances de engravidar.
Durante a gestação, idem. Todo e qualquer contratempo com o bebê na barriga recai sobre a mulher, afinal é ela quem está diretamente conectada com a criança.
E quando nasce, não é diferente. A Mãe amamenta, depois cuida da introdução alimentar, dos lanches da escola, do cardápio de casa, das compras.
Isso sem contar agenda de vacinas, atividades das crianças e todo e qualquer cuidado com a saúde da família toda.
Parece que saúde é um assunto para a mulher. Parece que o cuidado com a saúde dos filhos é um assunto de mãe.
E não é.
Uma parte essencial da paternidade, bem antes do filho nascer, é o cuidado com a própria saúde.
Alguns dados para que possamos refletir sobre isso:
. Metade do problema está do nosso lado
A infertilidade já atinge ≈ 15 % dos casais no mundo e, em até 50 % dos casos, o fator masculino é causa principal ou contributiva. (Fonte: Biomed Central)
. Obesidade derruba a fertilidade
Homens com IMC na faixa de obesidade têm 66 % mais chance de serem inférteis do que aqueles em peso saudável (fonte: ScienceDirect)
. Estresse “espreme” o espermatozoide
Num estudo da Fertility & Sterility, homens sob alto estresse apresentaram concentração seminal mais baixa e maior proporção de espermatozoides deformados — combinação que compromete a fecundação.
. Depressão tira força e número
Depressão moderada-a-severa reduziu motilidade progressiva, concentração e contagem total de espermatozoides; o efeito foi ainda pior em quem dormia < 7 h por noite. (Fonte: Frontiers)
. Peso paterno e riscos na gestação
Pais obesos quase triplicam a chance de gerar bebês pequenos para a idade gestacional e aumentam em 69 % o risco de macrossomia, além de elevar pré-eclâmpsia e cesarianas. (Fonte: Frontiers)
. Evidência 100 % brasileira
Em 89 tríades acompanhadas pela USP, quanto maior o IMC do pai, menor o peso e a circunferência cefálica do bebê ao nascer — primeira demonstração local de que a saúde paterna já molda o começo da vida. (Fonte: Agência FAPESP)
. O corpo do pai ensina antes da palavra
Quando ambos os pais são fisicamente ativos, os filhos ficam quase 6 × mais propensos a também serem ativos, construindo proteção duradoura contra obesidade e doenças crônicas. (fonte: ScienceDirect)
Esses números deixam claro: cuidar da própria saúde não é só “boa prática” — é intervenção direta na fertilidade, na segurança da gestação e no terreno biológico e comportamental onde nossos filhos vão crescer.
Na gestação e na primeira infância, a prioridade da criança é o corpo físico. Nesta fase se consolidarão todas as funções biológicas ligadas a saúde e bem-estar. Não há nada mais importante para uma criança do que estar nutrida, hidratada, com o sono em dia, ativa, brincando, explorando. Além do corpo físico, a criança se sente segura sendo cuidada e amada, e isso é a base da criação de filhos saudáveis. Todo o resto é secundário.
E ela aprenderá tudo isso por imitação, seguindo e repetindo os hábitos e ritmo da família e sendo cuidada.
Após os 7 anos, a criança crescerá sob esta base de sustentação. E é muito mais difícil alterar alicerce do que construí-lo. A vida toda colherão o que viveram na primeira infância, principalmente relacionado ao corpo e saúde.
Pai, a saúde de seus filhos dependerá totalmente de como você cuida da sua, desde antes mesmo deles nascerem.
Cuidar da própria saúde não é luxo. É um ato de coragem e altruísmo. É preparar-se para entregar o que há de mais precioso aos filhos: A própria vida em equilíbrio.
Saúde é coisa de Pai, sim.
