O nascimento: Quando tudo se materializa

O que você vai ler neste artigo:

Passei por duas experiências totalmente diferentes em partos. Ambas únicas, incomparáveis e igualmente especiais.

Aliás, sempre acredito que cada experiência é única. Tudo é diferente, inclusive nós mesmos. Eu não era o mesmo no primeiro parto e no segundo, minha esposa também não. 

O ambiente também não, o bebê também não. O processo da gestação também foi diferente.

Mas uma coisa é certa: O parto é a materialização. 

Até agora tudo era teoria, sensações, imaginação, toque na barriga, chutinhos, batimento do coração. Tudo isso já trazia expectativa, emoção, ansiedade. Quando o bebê nasce, uma vida passa a depender totalmente de você e sua parceira.

Como disse anteriormente, eu engravidei junto com minha esposa. Então estava imerso em cada etapa do processo. Mas na reta final, emoções novas passam a fazer parte do dia-a-dia. As consultas são mais recorrentes, os sinais passam a ser mais evidentes. 

O parto só tem um momento para acontecer: É o momento da criança. Não temos controle sobre isso. Mesmo que uma cesárea seja agendada, ela pode vir antes, no tempo dela. Não sabemos.

Por aqui, um princípio essencial que norteamos a criação dos meninos desde a barriga é o respeito ao tempo deles. Então, optamos por esperar um parto normal, zelando e cuidando para que a saúde de todos estivesse assegurada. Sem apegos, somente respeitando o princípio.

Com exatas 40 semanas, Davi começou a dar sinais que queria nascer. Contrações ritmadas, com boa intensidade, parecia que a hora chegara. Ainda deu tempo de pedir nosso lanche favorito, jantarmos, organizar as coisas, e ir a maternidade.

Por lá, se foram 14 horas em trabalho de parto, sem evolução na dilatação. Após o rompimento da bolsa, o obstetra pôde diagnosticar que se tratava de uma apresentação de face, quando o bebê está bem com o rosto votado pra frente ao invés do topo da cabeça. Nesta posição, é muito mais difícil o parto normal pelo diâmetro e rigidez da face. Zelando pela saúde de todos, o obstetra ofereceu a opção de cesárea. Nos olhamos, e seguimos em frente conscientes que estávamos respeitando o tempo da criança, a forma importava menos.

Davi veio ao mundo no dia 15.12.2021, em um parte respeitoso e tranquilo. Uma equipe incrível, atenciosa e carinhosa. 

A estranha sensação de “éramos 2, agora somos 3” enfim apareceu.

Com o Téo, outra história. Alguns dias antes de completar 40 semanas, num fim de tarde, Aline começou a ter contrações extremamente fortes e dolorosas. Acionamos a enfermeira-doula que nos acompanharia no processo, e ao chegar em casa ela conseguiu amenizar um pouco a dor. Mas já estava na hora, Téo queria chegar. Desta vez sem tempo de preparar quase nada nem de comer, apenas de acolher Davi e comunicar que o irmãozinho queria conhecê-lo. 

No hospital, mais uma vez com uma equipe acolhedora e especial que escolhemos, seguimos por 3 ou 4 horas de contrações.

Acompanhar este processo na íntegra, participando e apoiando naquilo que me cabia, sentindo aquela atmosfera. É algo magnífico. E também expandiu meu nível de admiração pela bravura e coragem da minha esposa. O esforço do parto normal é algo impressionante, acredito não haver nenhuma força similar, até porque não há motivação maior.

Nos últimos instantes, a obstetra me chamou e perguntou se eu queria ajudar a tirar o bebê, literalmente. Foi o convite mais especial que recebi na minha vida. Pude receber meu filho neste mundo, em seu primeiro segundo na terra. E instantaneamente o levei para os braços da mãe. E por ali ficamos por um longo tempo, contemplando mais um magia que acabara de acontecer.

Agora, éramos 4. Téo chegou em 11/09/2024.

Logo no dia seguinte, Davi veio conhecer o irmãozinho. Mais uma daquelas cenas mais emocionantes que pude presenciar até hoje em minha vida. Os olhos dele brilhavam, as mãos leves como se tocasse um cristal, um sorriso no rosto diferente do habitual, este como uma emoção exalando pelos lábios. Esta imagem está gravada em minha mente e em meu coração. Aquele encontro realmente foi emocionante.

Porque narrei tudo isso?

Primeiro para tentar transmitir um pouco do quão único e especial é o nascimento de uma criança. A mágica da vida se concretizando, o maior encontro do universo entre os pais e o filho. Não há nada comparável, é transcendental.

Segundo, para dizer que não estamos no controle. Podemos nos preparar, nos cuidar, até desejar e ter uma intenção. Mas o processo será como a criança quiser. Trabalhamos muito na gestação para não nos apegarmos na forma, mas sim na saúde. Tínhamos uma preferências por princípios, e seguimos até onde tínhamos controle. Respeitamos também aquilo que não pudemos controlar.

Isso não tornou nenhum parte menos ou mais especial que o outro. Cada um teve sua história, sua verdade.

Terceiro: Nosso papel neste processo é essencial!

Estudos associam acompanhante masculino a menor taxa de intervenções desnecessárias e melhor experiência de parto. Você é o guardião dos diretos da mulher, e também das vontades dela. Seu papel é cuidar para que tudo possa sair o mais próximo possível daquilo que ela idealizou.

Cuidar dela, do contexto, dos direitos. Dos detalhes e sutilezas também, estar ao lado, apoiando nos exercícios, segurando a mão.

Simplesmente esteja lá. Isso fará toda diferença na vida de todos os envolvidos, inclusive na sua.

Quarto: Não percam este momento por nada.

“Como assim perder o parto do meu filho?” – Sim, para minha surpresa, ao pesquisar sobre o tema, descobri que 20% dos homens nem sequer comparecem ao hospital, enquanto apenas 40% acompanharam o processo ao lado da parceiro na sala de parto (Dados do SUS). Em hospitais particulares, a taxa de presença do pai é algo em torno de 60%.

Acredite: Quatro a cada dez homens perdem o nascimento de seu filhos. Alguns por estarem ausentes do hospital, outros por não exigirem seus direitos de acompanhar o processo 24h.

Você que está lendo isto, não aceite em hipótese alguma ficar fora. Sua parceira precisa de você, e seu filho também. Nada nem ninguém pode te tirar deste momento. Nem o seu emprego, nem seu chefe, nem o hospital, nem o papa. Ninguém.

Estude a lei vigente, se prepare, exija seus direitos.

Se planeje, não se afaste de sua companheira a partir de algumas semanas antes do parte. Evite viagens ou estar muito distante geograficamente neste período. Deixe os hobbies um pouco de lado, não vá para seu futebol e deixe sua esposa com 39 semanas em casa. Lembre-se, suas prioridades já mudaram. Seus hábitos e sua agenda também deveriam acompanhar desde já.

Não perca o momento mais especial de toda sua vida na Terra 😉

Homens,

coloquem a paternidade no centro de suas vidas! Não haverá nada mais importante do que isso.

Nossos filhos e o mundo agradecem. 

;)